terça-feira, 31 de agosto de 2010

Cada tempo tem sua revelação


Acho que pela primeira vez na vida eu cheguei a uma conclusão relativamente sensata a respeito do tão famoso "Amor a Primeira Vista". Acho que desde Romeu e Julieta, o que os poetas querem dizer quando falam que existe amor a primeira vista, não tem absolutamente nada a ver em ter certeza que encontrou o amor da sua vida logo que bota os olhos nela. É mais uma questão de esperar o tempo certo pra que o seu próprio coração se revele, e no tempo dele! 
Se apaixonar é um sentimento impulsivo e ilusório que acontece com todos os seres humanos, mesmo que alguns neguem. Olhar a pessoa pela primeira vez e sentir coisas que só ela te faz sentir, e por alguns dias ela se torna a única pessoa perfeita no meio de todos do mundo. Mas isso não quer dizer que é amor. Aliás, o amor ta bem distante da paixão. Uma paixão não leva a um amor, mas um amor começa por uma paixão. Tecnicamente não tem como dizer se o que você sente a primeira vista é amor, ou uma explosiva paixão.
Quase a totalidade das pessoas quando se apaixonam, levam isso a diante. E na maioria dos casos, descobrem que era uma simples paixão e a história acaba logo. Agora existe o lado bem sucedido desses casos - os quais são raros: Você em mais um dia qualquer da sua rotina, se depara com alguém que jamais tinha visto, mas o que ela te faz sentir é muito mais vibrante que todas as outras pessoas que te cercam até hoje. Pois bem, você se da conta de que está apaixonado. É, você foi pego pelo querido cupido. E agora? Será que é uma paixão? Um sentimento curto que te levará a algumas aventuras, e só? Dúvidas que provavelmente sempre aparecem, mas que infelizmente, ou felizmente, jamais têm respostas no momento em que são perguntadas. 
Você resolve seguir em frente com esse relacionamento e por mais que às vezes vocês se desentendam, acabam sempre de bem. O tempo passa, a cada dia você conhece mais sobre a pessoa, a cada dia ela se torna cada vez mais parte da sua vida, a cada gesto e atitude ela conquista um pouco mais do seu carinho. Chega um dia em que você se dá conta de que conhece aquela pessoa com quem está se relacionando. Mas não conhecer no sentido de serem apresentados, mas no sentido de poder botar a mão no fogo por cada palavra que você disser a respeito dela. Você se dá conta de que com esse tempo todo você pôde vivenciar ao lado de um ser um humano, que como outro qualquer, tem seus defeitos e suas qualidades. Você já presenciou os dois lados, e por mais que você conheça cada defeito dela, é como se os defeitos não importassem de maneira nenhuma. Como se as qualidades se salientassem absurdamente sobre os defeitos, e a vontade de estar ao lado dela é muito maior do que qualquer aborrecimento que os defeitos possam lhe causar. Você percebe que agora aquela pessoa faz parte da sua vida, faz parte de uma tal forma em que você não saberia mais viver boa parte do seu dia, se ela não estivesse presente. Percebe que o seu desejo de querer o bem daquela pessoa é monstruosamente enorme e pensa que ninguém jamais poderia ocupar aquele lugar tão bem quanto ela. E por fim, sente profundamente em seu coração que pode afirmar com convicção: eu amo ela! 
A partir do momento em que seu coração dá certeza de um amor, você pode ter certeza que aquela pessoa jamais sairá da sua vida. Ela poderá um dia ir embora, mas eternamente viverá em suas lembranças e coração. 
O amor não é como a paixão que só vê perfeição e fica cego, agindo mais pelo outro que por si mesmo. O amor é de verdade, o amor tem choros e sorrisos, o amor tem sim e não, o amor vê os dois lados. E mesmo vendo os dois lados, ele continua existindo firme e forte.
Depois de refletir a respeito disso, eu volto ao início do nosso raciocínio. Se esse amor começou com uma fútil paixão, a qual começou com o primeiro olhar, eu penso que, então, o amor a primeira vista existe. A única coisa que nos impede de perceber isso ao primeiro momento, é que o nosso coração teve o tempo dele pra revelar isso pro nosso cérebro.

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